Obesidade
Definição
A obesidade é uma doença de causas complexas e multifactoriais. Para além do contexto ambiental, social e de factores genéticos, a obesidade resulta de um prolongado balanço energético positivo – interacção entre a energia que é ingerida e energia gasta.
Nos últimos 20 anos, a obesidade tornou-se no problema nutricional mais prevalente no mundo e o seu aumento acentuado resultou sobretudo de influências ambientais e culturais e não dos factores genéticos (Lau et al, 2007).
Na realidade, a obesidade tem que deixar de ser vista como uma questão simplesmente associada à cosmética e imagem corporal. Os indivíduos obesos apresentam um risco superior de aparecimento de comorbilidades, nomeadamente diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidémia, doença coronária, doença cardiovascular e apneia de sono.
O índice de massa corporal, conceito comummente utilizado para avaliar o grau de obesidade de um indivíduo, é calculado segundo a seguinte fórmula: peso (kg) / estatura (m2)
A classificação é posteriormente realizada de acordo com o seguinte:
- Peso inferior ao normal - ≤ 18,5
- Peso normal - 18.6-24.9
- Excesso de Peso - 25.0-29.9
- Obesidade I - 30.0-34.9
- Obesidade II - 35.0-39.9
- Obesidade III - ≥ 40.0
Prevalência
A prevalência da obesidade tem vindo a aumentar de forma muito significativa nas últimas duas décadas, estando o excesso de peso a ser considerado uma epidemia mundial (Buchwald, 2008).
De acordo com um estudo de prevalência nacional, realizado em adultos, foram encontrados os seguintes valores percentuais para classificar o peso dos indivíduos (Carmo et al, 2006):
| Classificação | Percentagem (%) |
| Inferior ao normal | 2.4 |
| Normal | 45.2 |
| Excesso de peso | 38.6 |
| Obesidade I | 11.1 |
| Obesidade II | 2.1 |
| Obesidade III | 0.6 |
O mesmo estudo cita Padez et al (2004), que analisou a prevalência da obesidade em crianças portuguesas com idade compreendidas entre os 7-9 anos de idade, concluindo que os valores são significativamente superiores quando comparados com outros países europeus. Existem, em Portugal, 31,5% de crianças com excesso de peso, no entanto 11,3% são já consideradas obesas.
Tratamento
Para gerir, com sucesso e a longo prazo, esta doença, tem-se assistido a desenvolvimentos muito significativos ao nível dos estilos de vida adoptados, nomeadamente no que se refere a questões relacionadas com dieta, exercício físico e comportamento, mas também ao nível das abordagens farmacológicas e cirúrgicas utilizadas.
As intervenções realizadas ao nível dos estilos de vida são as mais comuns, no entanto, a aderência não é a desejável e os resultados adquiridos, a longo prazo, apresentam um sucesso relativo, principalmente se não existir um apoio por parte das instituições de saúde. Não existem actualmente agentes farmacológicos verdadeiramente efectivos no que concerne ao tratamento da obesidade, especialmente de obesidade III (Buchwald, 2008).
A terapêutica farmacológica e o tratamento cirúrgico da obesidade têm-se revelado úteis para obtenção de melhores resultados em saúde, no entanto, nem sempre são as opções utilizadas por diversas razões (Lau et al, 2007).
A intervenção cirúrgica, cirurgia bariátrica, é o procedimento de eleição sempre que, para além de reunirem todas as condições para cirurgia, os indivíduos apresentem valores de IMC superiores a 40 ou a 35 na presença de comorbilidades (Buchwald, 2008).
Existem diferentes técnicas cirúrgicas utilizadas, sendo que as mais conhecidas são a colocação de banda gástrica e realização de bypass gástrico.
Para além destas, é por vezes utilizada uma abordagem não cirúrgica, denominada colocação de balão intragástrico, que consiste, tal como o nome indica, na inserção, por via endoscópica, de um balão no interior do estômago, que irá ocupar um espaço significativo, reduzindo a capacidade de conter alimentos e impedindo que a pessoa coma em excesso. Este procedimento é usualmente utilizado para redução de peso antes da realização de uma intervenção cirúrgica principal (colocação de banda gástrica ou realização de bypass gástrico).
A colocação de banda gástrica é um procedimento que pode ser realizado por via laparoscópica ou convencional. Consiste na colocação de um pequeno anel de silicone em redor da porção superior do estômago, dividindo o estômago em dois compartimentos: um compartimento superior que irá armazenar uma pequena quantidade de alimentos e que, quando cheio, causa sensação de saciedade; umm compartimento inferior, maior, que irá continuar a interferir normalmente no processo digestivo recebendo e enviando o alimento para o duodeno.
O bypass gástrico consiste na elaboração de uma bolsa gástrica, através de uma derivação em “Y-de-Roux” que irá diminuir consideravelmente a quantidade de alimento necessária para proporcionar saciedade. Os alimentos não passam pela maior parte do estômago e duodeno, sendo enviado directamente para o intestino delgado.
Para além das complicações inerentes a qualquer procedimento cirúrgico, a cirurgia bariátrica pode dar origem a algumas complicações pós-operatórias que devem ser esclarecidas pela equipa multidisciplinar que acompanha os obesos.